2.11.06
Os Estrangeirismos e os Complexos Nacionais
Para conclusão do tema dos Estrangeirismos na Língua Portuguesa, ainda acrescentarei hoje mais algumas notas ao que já aqui afirmei.
A razão que me levou a escrever sobre este tema foi a continuada verificação da grande falta de atenção com que os nossos concidadãos assistem a esta presente praga, ditada, não por qualquer necessidade inelutável, que só em sectores muito restritos se observa, mas por exacerbado pedantismo de uns tantos, que, em lugares de relevo social, impõem esta mania, perante uma estranha passividade geral, em particular de quem detém conhecimento especializado destas matérias, mas que não intervém, deixando assim campo aberto a todo o tipo de abuso e abastardamento da nossa Língua.
Esta passividade nasce, a meu ver, do desinteresse em que caiu tudo o que se refere à cultura especificamente portuguesa, que deixou de ser acarinhada, incentivada e mesmo decentemente ensinada, desde os mais elementares graus de ensino até aos claustros das Universidades.
Apesar dos largos milhares de professores e alunos que o actual Sistema de Ensino congrega, o mesmo espírito de incúria para com as coisas nacionais se regista em todo o lado. E, uma vez que o interesse da cultura nacional cesse de motivar os Professores, naturalmente que este espírito contagia negativamente as mais novas gerações de portugueses, a quem aquele interesse não chega sequer a tocar.
As causas que, no presente, têm concorrido para este fenómeno são múltiplas e a sua gradação relativa porventura difícil de estabelecer. Para mim, tudo radica num grande complexo de origem política das elites político-culturais que foram sucessivamente ocupando o poder após a Revolução de Abril de 1974.
Fortemente causticadas pelo anterior regime de Salazar-Caetano, assumidamente não democrático, na sua origem e na sua longa duração, regime, como se sabe, de inequívoco pendor nacionalista, desenvolveram as elites que o combatiam uma aversão muito acentuada, uma espécie de alergia a tudo o que lhes parecesse sobrevalorização ou simples destaque de elementos ou factores que caracterizam a cultura portuguesa, sem se importarem com as consequências nefastas desta sua anómala atitude.
De modo convergente, a perda de autoridade dos Professores nas Escolas, até hoje nunca mais recuperada; a instabilidade dos programas oficiais emanados do Ministério da Educação, a maior parte dos quais incompreensíveis, confusos e contraditórios, logo, desmotivadores para aqueles seus imprescindíveis agentes, os Professores; a falta de autoridade das famílias sobre os jovens que foram crescendo entregues à «formatação cultural» televisiva, altamente deformadora, criaram o ambiente responsável pelo progressivo alheamento de todos, Professores, alunos e famílias, para com as matérias que formam o âmago da identidade portuguesa : a Língua, a Literatura, a História, a Geografia e as manifestações de cultura popular, como as Cantigas, as Danças, o chamado folclore nacional, as canções da música dita ligeira, mas também as Lendas, os Adágios, os usos e costumes das regiões, etc., incluindo a música erudita de inspiração nacional, como Viana da Motta, Luís de Freitas Branco e Lopes Graça, entre outros, estudaram, recriaram e ajudaram a divulgar, hoje sem apreço significativo, nem, muito menos, continuação.
Durante vários lustros, este foi o «líquido amniótico» da nossa cultura de raiz nacional.
Com o advento das teses do neo-liberalismo, de meados de 80 para cá, encontrando-se este ambiente cultural profundamente degradado, impreparado para qualquer esboço de resistência, todas estas tendências negativas se adensaram.
Desvalorizou-se, obviamente, a ideia de Pátria, que, já anteriormente, ficara sob a incómoda suspeição da sua génese filofascista, atacou-se, demolidoramente, o Estado nas suas funções normativas, fiscalizadoras e de protecção, sob o pretexto de se denunciar e combater a sua ineficiência, a sua propensão para o despesismo, o desperdício de recursos, etc., sem se prevenir que, uma vez este anulado ou diminuído para além do razoável, se entrega a Nação – outra palavra sob suspeita – ao arbítrio de novos poderes, mais difíceis de identificar, mas não pouco deletérios na sua acção, até pela sua multiplicação, além de actuarem, muitas vezes, sem nenhuma legitimidade, quando não mesmo sem sequer acautelarem a sua normal legalidade.
Neste enquadramento, a cultura nacional não podia senão definhar. Primeiro, pelos complexos das gerações formadas na chamada luta anti-fascista que, na sua obsessão combativa, foram destruindo esse rico filão da energia de um Povo, que é a sua cultura de raiz, a partir da qual ele fabrica a seiva que há-de alimentar todas as restantes manifestações superiores do seu espírito distintivo. Depois, pela fácil adesão do esmagadora maioria do Povo a outros tipos de cultura, de baixo valor intrínseco, que é veiculada em doses maciças, entorpecentes, pela generalidade dos meios de comunicação social.
Eis-nos, pois, assim chegados ao início do século XXI, o das grandes realizações tecnológicas, que absolutamente nos deslumbram, mesmo se a maioria não faz a menor ideia dos fundamentos científicos que as tornaram possíveis. Todos estes novos, maravilhosos, artefactos que os avanços científicos e tecnológicos nos têm proporcionado se usam hoje quase como fins em si mesmos, perdendo-se rapidamente a noção da sua primitiva função, da sua básica utilidade, para deles sobressair o seu papel grandemente alienante.
Parece, na verdade, perverso que, num momento em que a Humanidade dispõe de tantos instrumentos que lhe permitem aumentar o saber, o seu grau de dominação da Natureza, que nos deveriam habilitar a resistir a toda essa onda de alienação, que verdadeiramente nos rouba o ser, nos afasta de nós mesmos, da nossa profunda essência, ela acabe por arrastar-nos, submergindo-nos com todo esse mar de objectos que as subtis técnicas da Publicidade, do Marquetingue, nos colocam na frente, à nossa imediata disposição, ao «alcance de um clique». E não se pense que são apenas as pessoas intelectualmente mais desprovidas as suas vítimas priveligiadas.
Se há, de facto, coisa fácil de comprovar é que a alienação consumista atinge tudo e todos sem distinção de classe ou de riqueza, quer consideremos esta última condição do ponto de vista intelectual ou material, tal o fascínio que a superabundância de bens sobre nós exerce.
Contra tantos factores adversos, é difícil lutar para impor uma cultura diferente, se não houver um trabalho educativo de base, persistente, conjugado entre a Família, a Escola e as Instituições Sociais, em geral.
Mas, primeiro, é preciso que nos desembarecemos todos dos complexos ainda subsistentes para com a Cultura Portuguesa, procurando conhecê-la, estudá-la, divulgá-la e, sem nenhum acanhamento, defendê-la : do preconceito de alguns, da ignorância de muitos, tirando-a da sua actual «apagada e vil tristeza», pela pouca conta em que ela tem estado, pelo escasso caso que dela temos feito.
Aquilo que se passa com a Língua que falamos, excessivamente carregada de estrangeirismos de uso pedante, que não preenchem, na maioria dos casos, nenhuma falta real ou necessidade insuperável no Léxico vernáculo, é apenas um dos múltiplos sinais da enorme incúria com que tratamos os símbolos mais fortes da nossa identidade cultural.
Sem orgulho na sua cultura de raiz, dificilmente um povo consegue afirmar-se. E, sem esse esteio essencial, nada depois arranca : nem a recuperação económica, que, apesar de garantida, nunca mais se enxerga, nem o civismo, que não nasce no vazio espiritual e moral, nem muito menos, a nossa realização colectiva, como Comunidade progressiva, empreendedora, gozando de algum conforto, num estado de bem-estar social que nos faça sentir razoavelmente felizes, que, para isso sim, é que devemos viver.
Devemos viver para ser felizes. Para os religiosos, como encontramos em Santo Agostinho, este desígnio é assumido sem hesitação, porque para tal é que fomos feitos pelo Criador.
Para que fôssemos felizes nos terá Ele criado. E nessa condição viveríamos, não tivesse ocorrido o primeiro, o grande pecado original, do qual terá derivado toda a nossa fragilidade, toda a contingência do nosso ser, da nossa terrena peregrinação, outro pensamento de ressonância religiosa, mais exactamente, cristã.
Não se veja, porém, nestas alusões, ainda que de forma velada, qualquer intenção proselitista. Há muito que me persuadi de que até para os agnósticos ou mesmo ateus a convivência com os textos agostinianos é sumamente benéfica.
AV_Lisboa, 01 de Novembro de 2006
A razão que me levou a escrever sobre este tema foi a continuada verificação da grande falta de atenção com que os nossos concidadãos assistem a esta presente praga, ditada, não por qualquer necessidade inelutável, que só em sectores muito restritos se observa, mas por exacerbado pedantismo de uns tantos, que, em lugares de relevo social, impõem esta mania, perante uma estranha passividade geral, em particular de quem detém conhecimento especializado destas matérias, mas que não intervém, deixando assim campo aberto a todo o tipo de abuso e abastardamento da nossa Língua.
Esta passividade nasce, a meu ver, do desinteresse em que caiu tudo o que se refere à cultura especificamente portuguesa, que deixou de ser acarinhada, incentivada e mesmo decentemente ensinada, desde os mais elementares graus de ensino até aos claustros das Universidades.
Apesar dos largos milhares de professores e alunos que o actual Sistema de Ensino congrega, o mesmo espírito de incúria para com as coisas nacionais se regista em todo o lado. E, uma vez que o interesse da cultura nacional cesse de motivar os Professores, naturalmente que este espírito contagia negativamente as mais novas gerações de portugueses, a quem aquele interesse não chega sequer a tocar.
As causas que, no presente, têm concorrido para este fenómeno são múltiplas e a sua gradação relativa porventura difícil de estabelecer. Para mim, tudo radica num grande complexo de origem política das elites político-culturais que foram sucessivamente ocupando o poder após a Revolução de Abril de 1974.
Fortemente causticadas pelo anterior regime de Salazar-Caetano, assumidamente não democrático, na sua origem e na sua longa duração, regime, como se sabe, de inequívoco pendor nacionalista, desenvolveram as elites que o combatiam uma aversão muito acentuada, uma espécie de alergia a tudo o que lhes parecesse sobrevalorização ou simples destaque de elementos ou factores que caracterizam a cultura portuguesa, sem se importarem com as consequências nefastas desta sua anómala atitude.
De modo convergente, a perda de autoridade dos Professores nas Escolas, até hoje nunca mais recuperada; a instabilidade dos programas oficiais emanados do Ministério da Educação, a maior parte dos quais incompreensíveis, confusos e contraditórios, logo, desmotivadores para aqueles seus imprescindíveis agentes, os Professores; a falta de autoridade das famílias sobre os jovens que foram crescendo entregues à «formatação cultural» televisiva, altamente deformadora, criaram o ambiente responsável pelo progressivo alheamento de todos, Professores, alunos e famílias, para com as matérias que formam o âmago da identidade portuguesa : a Língua, a Literatura, a História, a Geografia e as manifestações de cultura popular, como as Cantigas, as Danças, o chamado folclore nacional, as canções da música dita ligeira, mas também as Lendas, os Adágios, os usos e costumes das regiões, etc., incluindo a música erudita de inspiração nacional, como Viana da Motta, Luís de Freitas Branco e Lopes Graça, entre outros, estudaram, recriaram e ajudaram a divulgar, hoje sem apreço significativo, nem, muito menos, continuação.
Durante vários lustros, este foi o «líquido amniótico» da nossa cultura de raiz nacional.
Com o advento das teses do neo-liberalismo, de meados de 80 para cá, encontrando-se este ambiente cultural profundamente degradado, impreparado para qualquer esboço de resistência, todas estas tendências negativas se adensaram.
Desvalorizou-se, obviamente, a ideia de Pátria, que, já anteriormente, ficara sob a incómoda suspeição da sua génese filofascista, atacou-se, demolidoramente, o Estado nas suas funções normativas, fiscalizadoras e de protecção, sob o pretexto de se denunciar e combater a sua ineficiência, a sua propensão para o despesismo, o desperdício de recursos, etc., sem se prevenir que, uma vez este anulado ou diminuído para além do razoável, se entrega a Nação – outra palavra sob suspeita – ao arbítrio de novos poderes, mais difíceis de identificar, mas não pouco deletérios na sua acção, até pela sua multiplicação, além de actuarem, muitas vezes, sem nenhuma legitimidade, quando não mesmo sem sequer acautelarem a sua normal legalidade.
Neste enquadramento, a cultura nacional não podia senão definhar. Primeiro, pelos complexos das gerações formadas na chamada luta anti-fascista que, na sua obsessão combativa, foram destruindo esse rico filão da energia de um Povo, que é a sua cultura de raiz, a partir da qual ele fabrica a seiva que há-de alimentar todas as restantes manifestações superiores do seu espírito distintivo. Depois, pela fácil adesão do esmagadora maioria do Povo a outros tipos de cultura, de baixo valor intrínseco, que é veiculada em doses maciças, entorpecentes, pela generalidade dos meios de comunicação social.
Eis-nos, pois, assim chegados ao início do século XXI, o das grandes realizações tecnológicas, que absolutamente nos deslumbram, mesmo se a maioria não faz a menor ideia dos fundamentos científicos que as tornaram possíveis. Todos estes novos, maravilhosos, artefactos que os avanços científicos e tecnológicos nos têm proporcionado se usam hoje quase como fins em si mesmos, perdendo-se rapidamente a noção da sua primitiva função, da sua básica utilidade, para deles sobressair o seu papel grandemente alienante.
Parece, na verdade, perverso que, num momento em que a Humanidade dispõe de tantos instrumentos que lhe permitem aumentar o saber, o seu grau de dominação da Natureza, que nos deveriam habilitar a resistir a toda essa onda de alienação, que verdadeiramente nos rouba o ser, nos afasta de nós mesmos, da nossa profunda essência, ela acabe por arrastar-nos, submergindo-nos com todo esse mar de objectos que as subtis técnicas da Publicidade, do Marquetingue, nos colocam na frente, à nossa imediata disposição, ao «alcance de um clique». E não se pense que são apenas as pessoas intelectualmente mais desprovidas as suas vítimas priveligiadas.
Se há, de facto, coisa fácil de comprovar é que a alienação consumista atinge tudo e todos sem distinção de classe ou de riqueza, quer consideremos esta última condição do ponto de vista intelectual ou material, tal o fascínio que a superabundância de bens sobre nós exerce.
Contra tantos factores adversos, é difícil lutar para impor uma cultura diferente, se não houver um trabalho educativo de base, persistente, conjugado entre a Família, a Escola e as Instituições Sociais, em geral.
Mas, primeiro, é preciso que nos desembarecemos todos dos complexos ainda subsistentes para com a Cultura Portuguesa, procurando conhecê-la, estudá-la, divulgá-la e, sem nenhum acanhamento, defendê-la : do preconceito de alguns, da ignorância de muitos, tirando-a da sua actual «apagada e vil tristeza», pela pouca conta em que ela tem estado, pelo escasso caso que dela temos feito.
Aquilo que se passa com a Língua que falamos, excessivamente carregada de estrangeirismos de uso pedante, que não preenchem, na maioria dos casos, nenhuma falta real ou necessidade insuperável no Léxico vernáculo, é apenas um dos múltiplos sinais da enorme incúria com que tratamos os símbolos mais fortes da nossa identidade cultural.
Sem orgulho na sua cultura de raiz, dificilmente um povo consegue afirmar-se. E, sem esse esteio essencial, nada depois arranca : nem a recuperação económica, que, apesar de garantida, nunca mais se enxerga, nem o civismo, que não nasce no vazio espiritual e moral, nem muito menos, a nossa realização colectiva, como Comunidade progressiva, empreendedora, gozando de algum conforto, num estado de bem-estar social que nos faça sentir razoavelmente felizes, que, para isso sim, é que devemos viver.
Devemos viver para ser felizes. Para os religiosos, como encontramos em Santo Agostinho, este desígnio é assumido sem hesitação, porque para tal é que fomos feitos pelo Criador.
Para que fôssemos felizes nos terá Ele criado. E nessa condição viveríamos, não tivesse ocorrido o primeiro, o grande pecado original, do qual terá derivado toda a nossa fragilidade, toda a contingência do nosso ser, da nossa terrena peregrinação, outro pensamento de ressonância religiosa, mais exactamente, cristã.
Não se veja, porém, nestas alusões, ainda que de forma velada, qualquer intenção proselitista. Há muito que me persuadi de que até para os agnósticos ou mesmo ateus a convivência com os textos agostinianos é sumamente benéfica.
AV_Lisboa, 01 de Novembro de 2006
Comments:
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Portugal deixou-se embalar pelo consumismo próprio de uma época na qual os bens materiais são de uso e não de posse, de aparência e não de permanência. Mas não fomos só nós! O mundo inteiro está vassalo desse novo poder.
Porquê? Porque entre o ter e o ser o mais fácil de conseguir é o primeiro. O segundo pede reflexão e esforço.
Então, o mundo está hoje alienado pelo ter, porque é fácil aliená-lo; o Homem sempre se deixou subjugar por deuses, porque, mesmo dizendo-se a viver a mais profunda religiosidade, são as divindades pagãs ou paganizadas quem o domina. Domina, porque o Homem não consegue sustentar-se sozinho no pedestal da sua grandeza superior; tem de relativizar-se, pois tudo à sua volta é relativo... O Homem relativiza-se perante um deus, seja ele qual for.
Só quando (se) o Homem for capaz de encarar a sua total superioridade e conviver com ela em paz conseguirá abandonar a ânsia do ter para passar à tranquilidade do ser.
Porquê? Porque entre o ter e o ser o mais fácil de conseguir é o primeiro. O segundo pede reflexão e esforço.
Então, o mundo está hoje alienado pelo ter, porque é fácil aliená-lo; o Homem sempre se deixou subjugar por deuses, porque, mesmo dizendo-se a viver a mais profunda religiosidade, são as divindades pagãs ou paganizadas quem o domina. Domina, porque o Homem não consegue sustentar-se sozinho no pedestal da sua grandeza superior; tem de relativizar-se, pois tudo à sua volta é relativo... O Homem relativiza-se perante um deus, seja ele qual for.
Só quando (se) o Homem for capaz de encarar a sua total superioridade e conviver com ela em paz conseguirá abandonar a ânsia do ter para passar à tranquilidade do ser.
Desde Espaha:
Não estou conforme con muito do que aquí commenta-se, mas que maravilhosa disscusão!. Não é fácil encontrar uma altura intelectual semelhante. Parabéns, amigos.
Em Espanha a doença que vocês denuncian também se observa. Porem, não estou certo de que as causas sejan as que vôces asinalam. De feito, não estou seguro de que seja uma patología: ao fim e ao cabo a lingua e a cultura son instrumentos da liberdade, não fines em sí mesmas; están ao serviço da liberade, e não subordinadas. Os donos da lingua son os mensmos que os das bocas. Todos nos, os que as empleamos.
Alem disso, o "abastardamento" não é só inevitável, mas tambem desejável. Certo é que o portugés e fruto da corrupção do latim, asi como o espanhol também. Santa corrupção, benzido bastardamento. Todo fruto da alma humana ten um berço e uma sepultura, e bem está que asím seja.
Peço disculpas pelo meu abominável português, não tenho outra escusa que o meu honesto esforzo por me fazrerem compreender, e meu amor por esta língua, que nunca estudei.
Obrigado .
Não estou conforme con muito do que aquí commenta-se, mas que maravilhosa disscusão!. Não é fácil encontrar uma altura intelectual semelhante. Parabéns, amigos.
Em Espanha a doença que vocês denuncian também se observa. Porem, não estou certo de que as causas sejan as que vôces asinalam. De feito, não estou seguro de que seja uma patología: ao fim e ao cabo a lingua e a cultura son instrumentos da liberdade, não fines em sí mesmas; están ao serviço da liberade, e não subordinadas. Os donos da lingua son os mensmos que os das bocas. Todos nos, os que as empleamos.
Alem disso, o "abastardamento" não é só inevitável, mas tambem desejável. Certo é que o portugés e fruto da corrupção do latim, asi como o espanhol também. Santa corrupção, benzido bastardamento. Todo fruto da alma humana ten um berço e uma sepultura, e bem está que asím seja.
Peço disculpas pelo meu abominável português, não tenho outra escusa que o meu honesto esforzo por me fazrerem compreender, e meu amor por esta língua, que nunca estudei.
Obrigado .
Começo por saudar a presença do comentário de um "nuestro hermano" (é assim que se escreve?). É sempre algo que valoriza e honra um blog.
Entrando no assunto, acho que todos têm razão, embora "na casa haja pão", o que se pode avaliar pela qualidade do artigo e dos comentários que me antecederam. Se, por um lado uma língua não é uma peça de museu, por outro lado há que respeitá-la, sob perigo de se instalar uma enorme bagunçada, perdoem-me o termo.
Penso que o que está em causa não é a evolução — tão inevitável como desejável — mas o mau uso desnecessário e possidónio. O que me irrita é esse pedantismo bacoco de que tão bem fala o nosso António Viriato.
Entrando no assunto, acho que todos têm razão, embora "na casa haja pão", o que se pode avaliar pela qualidade do artigo e dos comentários que me antecederam. Se, por um lado uma língua não é uma peça de museu, por outro lado há que respeitá-la, sob perigo de se instalar uma enorme bagunçada, perdoem-me o termo.
Penso que o que está em causa não é a evolução — tão inevitável como desejável — mas o mau uso desnecessário e possidónio. O que me irrita é esse pedantismo bacoco de que tão bem fala o nosso António Viriato.
Caros Amigos,
Gostaria também de saudar a presença deste nosso irmão galego e assinalar o apreço que sinto pelo esforço que ele faz em expressar-se na língua de Camões, que conhece por inclinação afectiva, como refere, em pleno esforço de autodidacta, visto que nunca estudou formalmente o nosso idioma.
Mesmo assim, ousa ler Eça em vernáculo e consegue escrever nesta exigente língua, cheia de subtilezas que é a nossa .
Com o tempo, fixará melhor a ortografia, que importa sempre menos que a sintaxe e aqui já ele se encontra muito mais próximo da normalidade.
Também eu algumas vezes me tenho aventurado a escrever em castelhano, sem nunca o haver estudado e, por isso, sei avaliar bem o esforço que tal exercício representa. Que não sejam alguns erros, absolutamente naturais, a envergonhar-nos do esforço despendido.
Evoquemos aqui um Mestre das Letras, o nosso ilustre Antonio Machado, que até era neto de um galego, segundo creio, logo também nosso duplo irmão, que nos lembrava uma grande verdade, com essa espécie de aforismo :
« ... caminante no hay camino, se hace camino al andar... »
Quanto às divergências, encaremo-las com naturalidade : são sempre legítimas e desde que expostas com sinceridade, com correcção, não temos que nos penalizar com tal coisa. As ideias debatem-se, confrontam-se, para esclarecimento dos assuntos e, muitas vezes, até acabamos por alterar a nossa opinião inicial em resultado da discussão empreendida.
Poderemos seguir aqui o espírito socrático, o grego, claro, que convidava ao livre exame de todas as questões, até se chegar à sua compreensão.
Afirmemos, pois, os nossos eventualmente diversos pontos de vista, sem receio de discordarmos uns dos outros, dentro de um quadro de respeito e consideração por todas as opiniões expressas, sempre na esperança de que no fim se alcance a luz.
Agradeço, portanto, aos meus amáveis interlocutores os comentários aqui expendidos.
Um abraço lusíada.
Gostaria também de saudar a presença deste nosso irmão galego e assinalar o apreço que sinto pelo esforço que ele faz em expressar-se na língua de Camões, que conhece por inclinação afectiva, como refere, em pleno esforço de autodidacta, visto que nunca estudou formalmente o nosso idioma.
Mesmo assim, ousa ler Eça em vernáculo e consegue escrever nesta exigente língua, cheia de subtilezas que é a nossa .
Com o tempo, fixará melhor a ortografia, que importa sempre menos que a sintaxe e aqui já ele se encontra muito mais próximo da normalidade.
Também eu algumas vezes me tenho aventurado a escrever em castelhano, sem nunca o haver estudado e, por isso, sei avaliar bem o esforço que tal exercício representa. Que não sejam alguns erros, absolutamente naturais, a envergonhar-nos do esforço despendido.
Evoquemos aqui um Mestre das Letras, o nosso ilustre Antonio Machado, que até era neto de um galego, segundo creio, logo também nosso duplo irmão, que nos lembrava uma grande verdade, com essa espécie de aforismo :
« ... caminante no hay camino, se hace camino al andar... »
Quanto às divergências, encaremo-las com naturalidade : são sempre legítimas e desde que expostas com sinceridade, com correcção, não temos que nos penalizar com tal coisa. As ideias debatem-se, confrontam-se, para esclarecimento dos assuntos e, muitas vezes, até acabamos por alterar a nossa opinião inicial em resultado da discussão empreendida.
Poderemos seguir aqui o espírito socrático, o grego, claro, que convidava ao livre exame de todas as questões, até se chegar à sua compreensão.
Afirmemos, pois, os nossos eventualmente diversos pontos de vista, sem receio de discordarmos uns dos outros, dentro de um quadro de respeito e consideração por todas as opiniões expressas, sempre na esperança de que no fim se alcance a luz.
Agradeço, portanto, aos meus amáveis interlocutores os comentários aqui expendidos.
Um abraço lusíada.
Caro amigo António Viriato:
Não sei si é muito pertinente, mais uma ingerência do espanhol no português muito peculiar é a referencia ao monarca com o artículo "El": Não "O Rei" mas "El Rei". Porem dizem vozes " A Rainha".
Por quê?
Os Maias, Eça de Quieroz; Pagina 251, edição "livros do Brasil", Lisboa, 2006.
"...da voz monótona do cicerone mostrando a cama de S.M. El-Rei, as cortinas do quarto de S.M. a Rainha,..."
É a parte em que ficam em Sintra, e visitam o Castelo ( ou é "Palácio"?) da Pena. Formosíssimo lugar, por certo.
É o protocolo ou cal é a razão desta ingerência?
Espero não molestar meus amigos e irmãos portugueses com esta referencia ao passado comum, e mas a monarquia, já falecida nessa vossa república.
Saudações cordiais.
Não sei si é muito pertinente, mais uma ingerência do espanhol no português muito peculiar é a referencia ao monarca com o artículo "El": Não "O Rei" mas "El Rei". Porem dizem vozes " A Rainha".
Por quê?
Os Maias, Eça de Quieroz; Pagina 251, edição "livros do Brasil", Lisboa, 2006.
"...da voz monótona do cicerone mostrando a cama de S.M. El-Rei, as cortinas do quarto de S.M. a Rainha,..."
É a parte em que ficam em Sintra, e visitam o Castelo ( ou é "Palácio"?) da Pena. Formosíssimo lugar, por certo.
É o protocolo ou cal é a razão desta ingerência?
Espero não molestar meus amigos e irmãos portugueses com esta referencia ao passado comum, e mas a monarquia, já falecida nessa vossa república.
Saudações cordiais.
Ao nosso irmão da galiza, direi que, tanto quanto me lembro, o termo el, que significa «o», artigo definido masculino no singular, ficou como resquício da linguagem arcaica do português da Idade Média e só sobrevive hoje agregado ao vocábulo rei, el-rei, ou na expressão «aqui-del-rei», para invocar ajuda, em situação de perigo ou equivalente. Não se trata de nenhuma influência recente. Já Fernão Lopes usava o termo. Esper ter consegido esclarecer a dúvida.
Um abraço.
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Um abraço.
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